Bennu e os Asteroides Próximos à Terra

Muita gente pensa que os asteroides estão apenas no Cinturão Principal de Asteroides e os cometas, na Nuvem de Oort, mas isso não é verdade. Existem muitos pequenos corpos espalhados pelo nosso Sistema Solar. Próximos à Terra, por exemplo, existem diversos objetos agrupados em família. Eles são conhecidos pela sigla NEOs (do inglês Objetos Próximos à Terra). São cometas e asteroides que, devido à interação gravitacional de planetas próximos, foram empurrados em órbitas que lhes permitem entrar na vizinhança da Terra.

Três famílias de NEOs são bem conhecidas: Apollo, Amors e Atenas, as quais estão representadas na figura abaixo. Uma destas famílias tem ganhado destaque na mídia: Apollo. Alguns de seus membros têm sido visitados por sondas espaciais. Apollo é formado por asteroides com distâncias do periélio menores que 1,017 UA e semieixo maior com comprimento maior do que 1 UA. Eles têm tamanhos menores que 10 km (ainda bem! Pois esta família de asteroides forma a maioria da população de asteroides que cruzam a órbita da Terra e são potencialmente perigosos).

Esquema representando as órbitas da Terra, Marte, famílias de objetos próximos da Terra (Apollo, Atenas e Amors) e o Cinturão Principal de Asteroides. Crédito: European Space Agency.
Esquema representando as órbitas da Terra, Marte, famílias de objetos próximos da Terra (Apollo, Atenas e Amors) e o Cinturão Principal de Asteroides. Crédito: European Space Agency.

Em 2014, a JAXA (Agência Espacial Japonesa) lançou uma sonda para estudar o asteroide Apollo 162173 Ryugu de 980 m, através da missão Hayabusa 2. Esta sonda já coletou material do asteroide e esperamos que retorne para ser analisado na Terra em dezembro de 2020. Em 2016, a Agência Espacial Americana (NASA) também lançou uma sonda, a OSIRIS-REx, que tem por objetivo procurar objetos troianos da Terra e estudar o asteroide Bennu. Este asteroide tem aproximadamente 500 m de diâmetro no seu equador. A sonda OSIRIS-REx entrou em órbita ao redor de Bennu em dezembro de 2018 e desde então tem feito diversas imagens deste corpo. Em 20 de outubro de 2020, OSIRIS-REx tocou na superfície de Bennu e coletou amostras para serem estudadas na Terra. As amostras chegarão ao nosso solo em setembro de 2023. O vídeo abaixo mostra o momento da coleta.

Vídeo mostrando o momento do impacto da sonda OSIRIS-REx na superfície do asteroide Bennu e a coleta de amostras.
Vídeo mostrando o momento do impacto da sonda OSIRIS-REx na superfície do asteroide Bennu e a coleta de amostras.

Porque Bennu?

Esta é uma pergunta importante, pois quando uma missão é iniciada para o estudo de algum corpo celeste, sempre há uma boa razão para isso. Bennu é interessante por ser considerado uma relíquia do Sistema Solar. Nosso sistema planetário tem cerca de 4,56 bilhões de anos e acredita-se que parte do material de Bennu estava pronto quando nosso sistema planetário tinha apenas 10 milhões de anos, ou seja, era praticamente um recém-nascido. Então, este objeto guarda a história do início do nosso sistema planetário, sendo formado pelo mesmo material que formou os planetas como a Terra. Estudando sua composição química, podemos descobrir muito sobre a formação do nosso planeta e dos outros. Isso nos ajuda a entender não só o nosso, mas, também, outros sistemas planetários.

Antes da sonda chegar até Bennu e poder observá-lo, os cientistas acreditavam que sua superfície fosse praticamente de material fino, do tipo arenoso, mas foram surpreendidos por diversas rochas com tamanhos variados. Observações mostraram intemperismo espacial distinto em diferentes regiões de Bennu, o que significa que algumas regiões foram mais expostas aos raios cósmicos e vento solar do que outras. Então, eventos de impacto provavelmente expuseram materiais da superfície de Bennu em momentos variados. A sonda OSIRIS-REx impactou a superfície de Bennu bem na região da cratera Nightingale, coletando amostras de sua superfície. Esta região foi pouco exposta ao intemperismo espacial e o material coletado deve oferecer uma visão mais clara sobre o início do Sistema Solar. Nesta cratera há matéria orgânica que desperta grande interesse dos pesquisadores que buscam respostas sobre a origem da vida na Terra. Minerais do grupo dos Carbonatos foram confirmados nesta região. A formação destes minerais está associada à presença de água e dióxido de carbono. Alguns “veios” de carbonato estão presentes nas rochas que formam Bennu, os quais medem alguns metros de comprimento e vários centímetros de espessura. Estas descobertas indicam a possibilidade de que a água pode ter interagido com as rochas, alterando-as de um dos corpos que formou Bennu. Isso porque Bennu é composto por partes de diferentes corpos extraterrestres, sendo constituído desde material primitivo, como o que constitui os condritos carbonáceos, até material diferenciado, possivelmente de Vesta.

Fragmentos de um corpo diferenciado, possivelmente do asteroide Vesta, encontrados na superfície de Bennu. Crédito: NASA (Goddard - University of Arizona).
Fragmentos de um corpo diferenciado, possivelmente do asteroide Vesta, encontrados na superfície de Bennu. Crédito: NASA (Goddard – University of Arizona).

Algumas rochas deste asteroide são ásperas e escuras, sendo mais friáveis e porosas. Há ainda rochas que são lisas e brilhantes, sendo mais compactadas e menos porosas. Acredita-se que estas diferentes rochas tenham sido formadas em distintas profundidades e expostas após colisões. As rochas mais escuras não devem resistir à entrada na atmosfera da Terra. Assim, o material coletado pode ser inédito, contrastando com aqueles que estamos acostumados a coletar aqui na Terra na forma de meteoritos.

A missão passou por um grande susto, pois houve uma falha no fechamento do compartimento de coleta de amostras da OSIRIS-REx, o que gerou suspeita de que o material coletado tivesse se perdido. Entretanto, a NASA confirmou que rochas e poeiras foram coletadas e estão seguras em um compartimento hermético. A previsão é que as amostras cheguem à Terra em 24 de setembro de 2023, pousando no deserto de Utah, nos Estados Unidos.

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