Eclipses

No post da semana passada, onde falávamos das marés e se a Lua seria capaz de influenciar na fisiologia humana, toquei no assunto dos eclipses, mas disse que detalharia sobre isso em outro momento. Esse momento chegou! Que tal entendermos um pouco mais sobre a Lua e seus movimentos?

Para entendermos os eclipses solar e lunar, temos que entender sobre as fases da Lua. Se você ainda tem dúvida sobre o assunto, leia nossa matéria A Forma da Lua no Céu. É importante entender que um eclipse solar sempre vai acontecer na Lua Nova, enquanto um eclipse lunar sempre vai acontecer na Lua Cheia. Mas por que não temos um eclipse a cada uma destas luas? Enquanto escrevo este post, é Lua Cheia! Na verdade, hoje temos uma Super Lua no céu, a última Super Lua de 2020, mas não teremos um eclipse lunar. Para entender sobre isso, vamos olhar a figura 1 abaixo.

A Figura 1 mostra o Sol no centro da Imagem e a Terra girando em torno do Sol. Repare que Terra e Sol estão em um plano, que é chamado de Plano da Eclíptica. Ele tem esse nome exatamente porque um eclipse só pode acontecer quando a Lua estiver nesse plano. Entretanto, a Lua não passa sempre por ele, uma vez que Terra e Lua estão em um segundo plano, o qual está inclinado aproximadamente 5 graus em relação ao Plano da Eclíptica.

Figura 1 – Esquema mostrando a órbita da Terra em torno do Sol e a órbita da Lua em torno da Terra.

Quatro posições são mostradas na Figura 1: A, B, C e D. As posições A e C não são favoráveis para um eclipse, exatamente porque o Sol, a Lua e a Terra não estão no mesmo plano. Isso é o que acontece na maioria das vezes, por isso não temos um eclipse a cada Lua Nova ou a cada Lua Cheia. Mas em alguns momentos, durante a Lua Nova ou durante a Lua Cheia, a órbita da Lua em torno da Terra cruza o plano da órbita da Terra em torno do Sol. A Lua passa pela chamada Linha dos Nodos. É nesse momento (situação B e D) que temos aquele tão esperado Eclipse!

Mas existe diferença entre um eclipse que ocorre na Lua Nova e aquele que ocorre na Lua Cheia? Sim! Vamos utilizar outra figura para melhor visualização, imaginando que a Lua está passando pela Linha dos Nodos (ou muito próxima dela). Neste caso, Sol, Terra e Lua estão no mesmo plano (ou aproximadamente no mesmo plano). A Figura 2 mostra uma situação em que temos uma Lua Nova. O Sol está iluminando a parte da Lua que não está visível da Terra. Além disso, a Lua está na linha dos Nodos, de forma que agora os centros do Sol, da Lua e da Terra podem ser ligados por uma única reta. Os três astros estão no mesmo plano. Neste caso, a Lua entra exatamente na frente do Sol.

A Figura 2 está fora de escala. Embora o Sol seja inúmeras vezes maior do que a Lua, ele está muito mais longe da Terra. Se olharmos para o céu, daqui da Terra, tanto o Sol quanto a Lua tem aproximadamente o mesmo tamanho aparente, que é de aproximadamente meio grau. Então, se a Lua se posicionar entre o Sol e a Terra, ela esconde totalmente o Sol para quem está na região afetada pela sua sombra. Lembrando que a Lua Nova estará no céu durante a parte clara do dia, ao passar na frente do Sol, a Lua bloqueia sua luz e nosso dia se transforma em noite. Mas o eclipse não é visto em toda a Terra. Apenas algumas regiões irão percebê-lo. Em algumas áreas, teremos um eclipse total (área de umbra) e em outras, um eclipse parcial (área de penumbra), e em outras ainda, nenhum eclipse é percebido.

Figura 2 – Esquema mostrando um eclipse solar.

Durante um eclipse solar, muito pode ser aprendido sobre a estrutura do Sol. É possível, por exemplo, ver a coroa solar, mas isso vai ficar para outro post, quando falarmos sobre o Sol.

Sabemos que a órbita da Lua em torno da Terra não é exatamente um círculo, mas uma elipse. Então a Lua estará algumas vezes mais próxima da Terra (perigeu), enquanto em outros momentos estará mais longe da Terra (apogeu). Se durante um eclipse solar a Lua estiver no apogeu, ela terá um tamanho aparente no nosso céu menor do que quando está no perigeu. Nesta situação, ela não cobre completamente o Sol. O resultado é que não teremos um eclipse total, mas veremos um anel brilhante em torno da escura Lua. É o chamado anel de fogo. Neste caso, dizemos que o eclipse é anular. A Figura 3 mostra um exemplo para cada tipo de eclipse solar.

Figura 3 – Imagens de um eclipse solar total, um anelar e um parcial.

No caso em que temos uma Lua Cheia, o eclipse será lunar. Neste caso, é a Terra quem entra entre o Sol e a Lua. Como os raios solares não chegam à Lua porque a Terra está no caminho, a Lua, que a princípio estava cheia e redondamente brilhante no céu, vai desaparecendo até ser totalmente coberta pela sombra da Terra (Figura 4). Diferente do eclipse solar, todas as pessoas do planeta que estiverem vendo a Lua estarão vendo o mesmo eclipse. Se você quiser assistir a um eclipse lunar, terá que ficar acordado até tarde, mas terá o privilégio de ver a longa sombra do nosso próprio planeta.

Figura 4 – Esquema mostrando um eclipse lunar.

Na verdade, uma vez que a Lua esteja inteiramente na região de umbra, ela não ficará totalmente negra, mas terá cor vermelho escuro devido à luz solar espalhada pela atmosfera da Terra. Se você assistisse o eclipse da superfície da Lua, veria o Sol se pôr atrás de toda a Terra, a qual teria uma cor avermelhada. Deve ser uma imagem e tanto, não?

3 comentários em “Eclipses

    • Maria de Lourdes de Souza Loureiro Responder

      Muito interessante gostei muito, fico maravilhada quando acontece e ficava imaginando como poderia ser, agora já tenho idéia. Obrigada

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