Perseverance: Esperança de Evidências de Vida em Marte

Hoje as pessoas amanheceram eufóricas nas redes sociais! Tudo isso porque uma nova missão irá pousar em Marte. Ele é um rover que se chama Perseverance e faz parte da missão “Mars 2020” (Marte 2020, em português), da NASA. Ela foi lançada em 20/06/2020 e chegará hoje (18/02/2021) na superfície de Marte. Um trailer com a simulação da missão pode ser visto abaixo!

Sabemos que várias missões já foram enviadas a Marte e estudaram o Planeta Vermelho. A Perseverance será a 9ª missão e o 5° rover da NASA que pousa na superfície deste planeta. Por que, então, tanto alvoroço?

Simulação da missão “Marte 2020”, com a sonda se aproximando de Marte.

Este rover tem a missão de caracterizar a Geologia e o clima de Marte, abrindo caminho para a exploração humana além da Lua. Até aí, nada de muito novo, pois missões anteriores também se concentravam em adquirir dados relativos a essas áreas. Mas este rover tem algo especial: também irá focar em assuntos de Astrobiologia, que se ocupa do estudo da vida em todo Universo. O Perseverance tem a tarefa de procurar sinais reveladores de que a vida microbiana pode ter existido em Marte há bilhões de anos. Ele buscará registros antigos na região que mostrem que seres vivos unicelulares viveram por lá. Para isso, ele dispõe de dispositivos que serão capazes de coletar amostras do interior de rochas. Esse material será separado e enviado à Terra em missões futuras. No fundo, o Perseverance tem dispositivos mais eficientes que serão capazes de responder perguntas que o rover antecessor, o Curiosity, não foi capaz. A partir de dados obtidos pelo Curiosity, estudos sugeriram que Marte poderia ter abrigado vida microbiana em algum momento de sua vida.

Rover Perseverance, da missão “Marte 2020”.

O local para pouso foi muito bem escolhido: a cratera Jezero, que significa “lago” em várias línguas eslavas, como o croata, tcheco, sérvio, e esloveno. Tal cratera tem 45 km de largura com uma borda de um pouco mais de 600 m de altura. Os cientistas escolheram esse local por acreditarem que essa cratera possa ser o lar de evidências de vida antiga em Marte. Isso porque a 3,5 bilhões de anos atrás, Jezero era o local de um grande lago, com seu próprio delta de rio. Eles acreditam que, embora a água possa ter desaparecido há muito tempo, sinais de vida (conhecidos pelos cientistas como bioassinaturas) podem estar presentes na cratera e/ou ao longo de sua borda.

Imagem da cratera Jezero, Marte. No antigo Marte, a água esculpiu canais e transportou sedimentos para formar leques e deltas nas bacias dos lagos. Fonte: NASA.

Toda a missão foi preparada de acordo com o que conhecemos aqui na Terra. Desta forma, os cientistas esperam que no leito de Jezero existam sedimentos costeiros que possam estar incrustados com minerais carbonáceos. Dados espectrais obtidos a partir de sondas na órbita de Marte mostram que alguns desses sedimentos possuem minerais com indicativo de alteração química pela água. No delta da cratera de Jezero, os sedimentos provavelmente contêm argilas e carbonatos. Tais minerais são ótimos para preservar certos tipos de vida fossilizada no nosso planeta. Então, este seria um lugar propício para buscar bioassinaturas. Entretanto, isso não será uma tarefa fácil, pois nem mesmo aqui no nosso planeta é simples encontrar fósseis.

Embora os cientistas estejam se espelhando com o que conhecem na Terra, eles sabem que novidades inesperadas podem aparecer. “Mas enquanto buscamos evidências de micróbios antigos em um mundo alienígena antigo, é importante manter a mente aberta.” disse Gentry Lee, engenheiro chefe da Diretoria do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL/NASA).

Imagem criada usando dados de uma combinação de instrumentos e naves espaciais: Mars Global Surveyor, da NASA, e o seu Mars Orbiter Laser Altimeter (MOLA); Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, e o seu Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars (CRISM) e a Context Camera (CTX); e a High Resolution Stereo Camera (HRSC) no Mars Express, da ESA. Fonte: ESA.

A imagem acima mostra a borda da cratera Jezero, que se destaca claramente neste mapa de cores, facilitando a localização da costa de um lago que secou há bilhões de anos. O símbolo oval indica a elipse de pouso, onde o veículo espacial pousará em Marte. Os cientistas estão interessados em estudar essa linha costeira porque poderá ter preservado vida microbiana fossilizada, se realmente alguma vez esta se formou no Planeta Vermelho.

Se você gostaria de acompanhar todo o processo ao vivo, que se iniciará hoje, 18/02/2021, às 16:15, horário de Brasília, assista abaixo!

Fontes:

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