Meteorito Tiros: A Nova Caçada das Meteoríticas

Eram 3h25 da madrugada de 08/05/2020 quando os pedidos de “Vem meteoro!” que tanta gente tem feito neste ano foram atendidos, com um bólido incandescente riscando o céu escuro sobre a cidade de Tiros, em Minas Gerais. Agora, sabe-se que ele é um pedaço de Vesta, um dos maiores asteroides conhecidos do Sistema Solar, já analisado pela sonda Dawn, da NASA.

As chances de encontrá-lo eram remotas, mas não nulas: um fragmento com cerca de 400 g caiu à beira da trilha de uma fazenda na zona rural de Tiros. Em 18/09, a rocha foi encontrada pelo fazendeiro Sr. Titota, que cavalgava pela trilha e reparou que havia uma rocha de cor escura e brilho vítreo. Ao pegá-la para observar melhor, ele notou que havia algo incomum ali.

Titota fez um vídeo da rocha e enviou para o Padre José Luís. Na mesma hora, o Padre se lembrou do bólido de 4 meses atrás e acreditou se tratar do meteorito resultante. Ele enviou o vídeo para o jornalista Sandro Barcelos que publicou um pequeno vídeo da rocha encontrada na página do Portal Tirense Notícias.

A história se espalhou rapidamente e, ao ver o vídeo, Teresinha Souza, do grupo Mulheres de Estrelas, rapidamente associou o meteorito ao bólido de maio, uma vez que a rocha havia sido encontrada muito próxima ao final da trajetória calculada pela BRAMON (Rede Brasileira de Observação de Meteoros).

Meteorito Tiros: Rochoso – Acondrito, do tipo Eucrito.

Três dias depois, em 21/09, Dr.ª Maria Elizabeth Zucolotto, curadora da Coleção de Meteorítica do Museu Nacional/UFRJ, chegava a Tiros para analisar o meteorito juntamente com a Dr.ª Diana Andrade (Observatório do Valongo/UFRJ), Teresinha Souza e Ivan Soares (BRAMON).

Meteoríticas: Leidiane Ferreira, Diana Andrade, Elizabeth Zucolotto e Amanda Tosi com o Meteorito Tiros.

Análises feitas pelo grupo das Meteoríticas, cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostraram que o meteorito de Tiros é um Acondrito do tipo Eucrito, ou seja, um meteorito rochoso que veio das profundezas da crosta de um dos maiores asteroides do Sistema Solar, Vesta, e possivelmente foi lançado devido a um grande impacto no polo sul do asteroide. O Eucrito é o tipo mais comum dos Acondritos, as rochas que passaram pela fusão e recristalização. Eles são bastante parecidos com basaltos e, por serem ricos em cálcio, têm cor mais clara.

Cerca de 1 bilhão de anos atrás, um gigantesco impacto mudou completamente a superfície daquele asteroide, criando uma cratera de 505 km e lançando no espaço trilhões de toneladas de rochas da superfície, da crosta e até mesmo do manto de Vesta. No espaço, o material ejetado deste impacto gerou a Família Vesta de asteroides, que orbita o Sol na parte interna do cinturão principal.

Desde que foram divulgadas as primeiras imagens do meteorito encontrado em Tiros, a cidade recebe pessoas interessadas em procurar pelos meteoritos. Pesquisadores, caçadores de meteoritos e astrônomos amadores já estiveram no local, mas, até o momento, não encontraram outro fragmento. Normalmente, já é difícil encontrar um meteorito, mas o caso de Tiros é bem mais complicado. Principalmente por ser uma massa não muito grande espalhada em uma área gigantesca com relevo acidentado e muita cobertura vegetal. E para piorar, por ser um Acondrito, o meteorito não apresenta metais em sua composição, ou seja, não se pode contar com imãs e detectores de metais para auxiliar a busca. A única forma é procurar visualmente, preferencialmente contra o Sol, o que pode realçar o brilho da sua crosta.

Nas últimas semanas, as Meteoríticas voltaram a Tiros e iniciaram a caçada por mais fragmentos do meteorito. Surpreendentemente, uma segunda amostra, só que de um novo meteorito, do tipo metálico, foi encontrada.

Esquerda: Meteorito rochoso – Acondrito, do tipo Eucrito. Direita: Meteorito metálico.
Grupos das Meteoríticas e Mulheres de Estrelas, e moradores locais na caçada por novos fragmentos dos meteoritos.

Batizado de Meteorito Tiros, apesar de identificado como do tipo Eucrito, ainda não foi registrado oficialmente. O processo de cadastro em uma base internacional de dados está sendo conduzido pelas Meteoríticas: “Nós conseguimos trazer o fragmento para o Museu. Vamos fazer uma réplica 3D e cortar 80 g da rocha. Como ele é fresquinho, é como se tivéssemos enviado uma sonda até Vesta para coletar partes do asteroide. Os próximos passos são de estudar a rocha com os equipamentos que temos e fazer parceria com outros laboratórios do mundo”.

Análises em Microscópio Ótico (LABSONDA/UFRJ).
Análises em Microssonda Eletrônica (LABSONDA/UFRJ).

A história do Meteorito Tiros mostra a importância das instituições trabalhando juntas em prol da ciência. Acreditamos que haja outros meteoritos caídos na região e podem ser até maiores do que este que foi encontrado. Aguardamos agora que, com a divulgação dessa história, novos fragmentos possam ser finalmente encontrados!

Em 02/11, o Tirense Notícias realizou um bate-papo ao vivo na sua página do Facebook com as Meteoríticas. A entrevista abordou sobre os 2 meteoritos encontrados em Tiros, dos tipos rochoso e metálico, e as surpresas que surgiram durante essa incrível aventura em Minas Gerais! Confira!

Já em 03/11, a Band Cidade realizou uma entrevista especial com as Meteoríticas, mostrando o momento do teste químico que confirmou se tratar de um meteorito metálico a segunda amostra encontrada!

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4 comentários em “Meteorito Tiros: A Nova Caçada das Meteoríticas

  1. Nilton alves moro na chapada diamantina bahia eu tenho hum meteorito para vender segue meu comtato zap 77999526020 como foco para vender pezo du meteorito 404 gramas Responder

    Eu tenho hum meteorito para vender moro na chapada diamantina bahia meterito peza 404 gramas como fazer para vender este meteorito meu comtato zap 77999526020 meu nomem nilton alves ….

  2. Elair Eustáquio Ferreira. Responder

    A Poucos dias vi um aparelho que identifica meteoritos em segundos.ALLOY PLUS-Estra XRF identifica carbono,ferro e níquel.é um aparelho americano parece um secador se cabelo.que direcionado a pedra aperta-se o gatilho e em seu visor aparece a quantidade de Níquel e Ferro.é um espetáculo.porque não tem divulgado no brasil.?

    • Meteoritos Responder

      É um equipamento caro e poucos Centros/Instituições possuem. Geralmente é um XRF portátil. Estamos tentando viabilizar a compra/aquisição de um para o Museu Nacional.

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