As Fases da Lua Interferem na Fisiologia Humana?

Um dos argumentos para que as pessoas acreditem que as fases da Lua influenciam no nosso humor, nos nascimentos de bebês, no crescimento dos cabelos, entre outras situações, é que se a Lua influencia a água da Terra, ela seria capaz de influenciar nossos corpos ou qualquer fluido nele, já que nossos corpos contêm cerca de 70% de água.

No post da semana passada, vimos que a lua mantém uma porção iluminada pelo Sol praticamente constante durante todo o tempo (exceto num eclipse Lunar, mas isso vai ficar para outro post). Na verdade, o que faz a forma da Lua mudar no céu é a posição entre o Sol, a Terra e a Lua. Então como a nossa vida poderia ser influenciada por isso?  Algumas pessoas relacionam essas mudanças as marés, já que as marés estão intimamente ligadas ao tipo de Lua que vemos no céu. Para que você tire suas próprias conclusões, vamos entender porque as marés ocorrem na Terra.

A força gravitacional que o Sol exerce na Terra não é igual em todos os pontos da Terra. O mesmo ocorre com a força gravitacional que a Lua exerce na Terra. Isso acontece porque a Terra não é um corpo pontual, mas sim um corpo extenso. Ao exercer uma força gravitacional sob a Terra, a Lua provoca uma aceleração no nosso planeta. Essa aceleração é pequena, mas faz com que o centro de massa (CM) da Terra descreva, aproximadamente, uma órbita circular em torno do centro de massa do sistema Terra-Lua. Esse centro de massa do sistema Terra-Lua fica a quase 0,75 raios terrestres do centro da Terra, na direção da Lua. Como consequência de um sistema não inercial em rotação surge a força inercial centrífuga. Essa força tem o mesmo módulo e direção da aceleração do CM (que se encontra na linha Terra-Lua), mas sentido contrário ao dela. Então, já que a Terra é atraída no sentido da Lua, a força centrífuga tem sentido oposto à Lua.

A Figura 1(a) mostra uma representação simplificada dos vetores das forças que atuam em uma partícula da Terra em diferentes pontos do nosso planeta. A força gravitacional da Lua sobre a Terra é representada pelas setas vermelhas. Já as setas verdes representam a força inercial do sistema de referência Terra acelerado pela Lua.

Figura 1(a): Esquema representando as forças gravitacional da Lua e inercial, sobre a Terra em diversos pontos.

A Figura 1(b) mostra a força resultante da soma da força gravitacional exercida pela Lua sob a Terra com a força inercial no sistema de referência da Terra acelerado pela Lua. Essa resultante é a força de maré. Nas figuras 1(a) e 1(b), a intensidade e os ângulos dos vetores foram exagerados para melhor visualização.

Figura 1(b): Esquema representando força de maré lunar em diferentes pontos da Terra. Tanto a inclinação quanto a intensidade dos vetores foram exagerados para melhor visualização.

Tanto a água quanto a parte sólida da Terra sofrem o efeito de maré, mas uma vez que a água é mais fluida do que as rochas, a força gravitacional consegue distorcer bem mais a água, assim o efeito é percebido com o deslocamento das águas no nosso planeta. A Figura 2(a) mostra, de forma simplificada, o resultado da maré lunar nos oceanos terrestres.

Figura 2(a): Mostra um bojo mareal resultante do deslocamento de água causado pela força de maré da Lua na Terra.

O Sol está muito mais longe da Terra do que a Lua, mas sua força gravitacional é maior do que a da Lua sobre o nosso planeta (200 vezes maior). Desta forma, o Sol também causa uma maré perceptível, cuja intensidade é cerca da metade da maré lunar, já que as forças de maré na Terra não são proporcionais à gravidade, e sim a diferença de gravidade entre dois pontos distintos do nosso planeta. A dedução para a maré solar é semelhante àquela feita para maré lunar, com a diferença de que o corpo causador da maré neste caso seja o Sol. Levando em conta que esta maré é quase duas vezes menor do que aquela causada pela Lua na Terra, a Figura 2(b) mostra a soma destas duas marés durante a Lua cheia, enquanto a Figura 2(c) mostra na época da Lua Quarto Crescente.

A Figura 2(b) mostra a soma das contribuições do bojo devido ao Sol e à Lua para o caso de Lua Cheia; enquanto a Figura 2(c) mostra a soma das contribuições do bojo devido ao Sol e à Lua para o caso de Lua Crescente. Em todos os casos, os efeitos foram exagerados na figura para melhor visualização.

Bem, agora você já sabe que o que causa as marés não é a força gravitacional, e sim a diferença entre a força gravitacional em dois lados da Terra juntamente com o fato da Terra estar se deslocando em um movimento aproximadamente circular em torno do CM do sistema Terra-Lua.

A diferença na força gravitacional da Lua sobre a Terra entre dois pontos que estejam no Equador terrestre, mas diametralmente opostos, é de 7%. Ou seja, para uma distância igual ao diâmetro da Terra, que é de aproximadamente 12.700 km, a diferença de gravidade, embora suficiente para deslocar os oceanos do nosso planeta, não chega a 10%.

Então, o que me diz agora? Você acha que uma pessoa normal de cerca 1,70 m de altura, cuja distância entre os pés e a cabeça é quase sete mil e quinhentas vezes menor do que o diâmetro da Terra, sentirá a diferença de gravidade a ponto da Lua causar qualquer diferença comportamental? Comente abaixo!

4 comentários em “As Fases da Lua Interferem na Fisiologia Humana?

  1. Pingback:Eclipses – Meteoritos

Deixe uma resposta para Marianne Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *